quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DESVENDANDO A ORGANICIDADE (COMO DIRIA TITE)


Tenho uma dúvida, que até, hoje ninguém conseguiu dirimir.  O que faz o plantador de hortaliças orgânicas diante do ataque de nematoides?  Arranca tudo e joga fora, ou vai, de mansinho, escondidinho, e taca veneno na horta?
O que faz quando um fungo, como o que causa podridão da raiz, se alastra pela plantação?  Desce a enxada e elimina tudo, ou vai, de fininho, como quem não quer nada, e manda vê no fungicida?

Quando se fala em agricultura orgânica, aparecem os milagreiros que querem acabar com tudo que é doença de planta misturando álcool, cinza, vinagre e outras baboseiras.  Quando você vê a formulação do "defensivo", não sabe se serve para jogar nas plantas ou pra fazer despacho na encruzilhada.

E há "remédios" ainda mais estranhos: xixi de vaca, por exemplo.  "É só jogar mijo de vaca na folhagem que derruba os pulgões", dizem os pais-de-santo. E se a vaca estiver com infecção urinária?  Joga-se vírus e bactérias nas folhas das hortaliças?

Ah! mas tem o óleo de nim (ou neem, caso queiram).

Já tive a oportunidade de testar o famoso produto.  A versão óleo puro de nim é muito boa para quem gosta de ver lagartas brilhantes comendo folha de hortaliça.  Óleo de Nim não mata lagarta; mas dá um brilho danado nas bichas.  A versão "óleo de Nim composto", que também não mata lagarta, é de dar medo.  Trata-se de mistura de substâncias tóxicas, incluindo extrato de timbó - produto que era usado por índios ignorantes e pescadores preguiçosos para matar peixes no lago.  Jogavam um pouco de timbó na água e, depois, enchiam a canoa com os espécimes que ficavam boiando.  O uso do timbó era pesca tão predatória que foi proibido, antes mesmo que houvesse leis sobre crimes ambientais.
Peraí, então não posso jogar nas verduras um produto que mata fungos; mas posso jogar, sem restrição, um produto que mata peixes?

Ataque de praga


Tem, também o controle biológico.  Joaninha que come ácaro, lagartixa que come joaninha, carcará que come lagartixa; parece até aquela brincadeira de pedra, tesoura e papel.

De repente, sua plantação vira um mini jardim zoológico. 

Praga comendo praga

Uma curiosidade:  Será que existe alguém que prefere encontrar uma aranha na salada, a encontrar um pulgão?

Há, também, os modernos e "chiquérrimos" defensivos biológicos, que usam bactérias para adoecer e matar os insetos que atacam as plantas.

Quase cheguei a experimentar defensivo biológico.  Só não o fiz, porque o vendedor era meu amigo.
-  "Francisco, esse tal defensivo à base de bactéria não vale nada.  Nenhum produtor da região teve bom resultado.  Além disto, o prazo de validade é muito curto.  Você acaba de comprar e o produto já está vencendo.  É jogar dinheiro fora".
Diante do testemunho, só tinha que agradecer e picar a mula.

Para não ser injusto com um produto que desconheço, fui ao Google e solicitei a busca "defensivos biológicos".  A muito custo fiquei sabendo que o Zezinho das couves e o Manezinho dos cafundós elaboram tais produtos.
Pfizer, Rhodia, Bayer, Du Pont, Syngenta, Monsanto, não elaboram.  Nenhuma empresa de renome mundial fabrica defensivo biológico.
Bem, como nada na vida é definitivo, quando uma indústria séria fabricar defensivo a base de bactérias, prometo experimentar.

Enquanto isso, vou descartando uma ou outra folha, ou uma ou outra planta e, se necessário, aplicando defensivos comprovadamente eficazes, de boa procedência e com tempo de carência relativamente curto, tipo Decis, Prêmio, Actara.  E o faço de consciência tranquila, na certeza de que na Hidroponia o consumo de defensivo não chega a um quinto do que é consumido no cultivo tradicional.

E o cultivo orgânico, que não usa defensivo?  Bem, creio haver provado, no início desta coluna, que cultivo orgânico de hortaliça a nível comercial não passa de conversa fiada.

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