sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DANDO NOME AO BOI.

Agora que você já fez um monte de estudos e que já montou suas primeiras estufas, precisa ir pensando em que nome dar à empresa.  Sim, você vai precisar criar uma empresa, a menos que pretenda vender apenas aos seus vizinhos, que não fazem questão de Nota Fiscal. Mas aí você estará levantando um muro entre seu empreendimento e os grandes consumidores.

Por incrível que pareça, o nome da empresa é tão importante para o sucesso do negócio, quanto a própria produção das hortaliças.
Uma característica essencial para um bom nome é a simplicidade.
O grande diferencial da Coca-Cola foi poder ser chamada de Coca.  Para o indivíduo que chega ao bar, morrendo de sede, é muito mais cômodo pedir uma Coca, do que pedir uma Pepsi, uma Grapetti, um Guaraná Champanhe Antártica.  Mas não é só para o indivíduo sedento que o nome facilmente memorizável funciona.  A geladeira Consul eliminou a Prosdócimo, a lavadora Brastemp eliminou a Westinghouse.  Algumas marcas tiveram que sofrer adaptação nos nomes para permanecerem no mercado: A Volkswagen virou Volks, a General Eletric virou GE, a Schincariol virou Schin, a Telemar virou OI.

Outra característica: o nome tem que ser significativo, principalmente para o cliente.   Aí você já pode descartar combinação de nomes de sócios como, por exemplo, Hidropônica Inalmundo (porque os sócios se chamam Inalda e Raimundo), ou hidroponia KLB, porque o cliente não tem a obrigação de adivinhar o que significam tais letras.  Deve, também, evitar denominações bizarras, cujo significado só você conheça.  Na cidade de Águas da Prata, em São Paulo, há um açougue chamado BOI QUE RI.  Significa alguma coisa para você?  E a LOJA DA TETINHA?...

Inventar nome simples e significativo não é tão difícil.  Quando foi convocado por Deus a dar nome aos bichos, Adão criou nomes fáceis e interessantes: gato, boi, galo, rato, rã, sapo.  Só muito depois é que "inventou" dromedário, hipopótamo, ornitorrinco.  Deve ter sido por isso que foi mandado embora do paraíso.

NOTA.  Visite meu blog   http://almocenositio.blogspot.com.br/    e descubra que comida não é só para mastigar e engolir; é para saborear.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PRA NÃO ENTRAR PELO CANO


Uma vez preparado o terreno e construídas as estufas, está na hora de desembolsar algum dinheiro (Essa moleza tinha que acabar).


Você pode adquirir uma furadeira de bancada, um jogo de serra a copo e partir para fabricar seus próprios tubos, comprando canos plásticos nas lojas de material de construção, ou pode adquirir tubos projetados especificamente para uso hidropônico.


A comparação entre as alternativas tem que ser feita com muito carinho.   Em não havendo grande diferença de custo, convêm que você dê preferência aos produtos desenvolvidos especificamente para hidroponia; primeiro porque tem base plana (fixam mais facilmente), depois porque os fabricantes lhe oferecem o projeto de graça (distribuição dos tubos, bancadas e corredores de acordo com as dimensões das estufas e com as variedades que você pretende cultivar).

A seguir, os sites dos principais fornecedores de tubos para hidroponia; mas, como toda atividade comercial é mutante, pesquise outras alternativas.
http://www.hidrogood.com.br/
http://www.dynacs.com.br/

AS ROSAS E AS MUDAS NÃO FALAM.

A fase seguinte à da construção das bancadas de tubos é a da produção de mudas.  Se você está próximo de um produtor de mudas, dê graças aos céus, faça um acordo com ele, onde você fornece as sementes das mudas de que precisa e vá em frente.
Se você for obrigado a produzir suas própria mudas, eis as dicas.
- Faça uma pequena estufa, para servir de berçário.
- Adquira bandejas multicelulares (para a maioria das hortaliças, 12 cm³ por célula é um volume razoável).
- Adquira um bom substrato, de preferência de fibra de coco.  Ocorre que a fibra de coco pode ser coada quando a água retorna para a caixa e, assim, não emporcalha a solução nutritiva nem os tubos.  O Golden Mix, da Amafibra, empresa da Sococo, é muito bom para muda de hortaliça.  Se o vendedor lhe oferecer outro "ainda melhor" fica esperto.  Pode ser que o indivíduo não conheça muito do riscado, pode ser que esteja tentando desovar mercadoria encalhada.

O agrônomo da Amafibra vai lhe dar a orientação: 35 l de água para cada saco de fibra de coco (107 l) e vai dizer para você esquecer a instrução que vem impressa na embalagem (30 l de água para cada 107 litros de fibra).  A coisa não é bem por ai.

Semente peletizada de alface, por exemplo, necessita de mais umidade para germinar do que semente nua pequena, como a de rúcula.

Como muda não fala, vá experimentando, observando e definindo seu próprio padrão de umedecimento, pois o que acontece com as sementes em regiões frias (ou no inverno) é diferente do que acontece em regiões quentes (ou no verão).

As sementes precisam, geralmente, de dois a três dias em local escuro para germinar (botar raiz), depois disso devem ser levadas para o "berçário" e regadas de uma a duas vezes por dia, dependendo do clima da região.
Importante: Não deixe que suas mudas passem por situação de stress (excesso de calor, falta de luz, escassez de água).  Muda que sofre stress é igual a pau que nasce torto. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

DESVENDANDO A ORGANICIDADE (COMO DIRIA TITE)


Tenho uma dúvida, que até, hoje ninguém conseguiu dirimir.  O que faz o plantador de hortaliças orgânicas diante do ataque de nematoides?  Arranca tudo e joga fora, ou vai, de mansinho, escondidinho, e taca veneno na horta?
O que faz quando um fungo, como o que causa podridão da raiz, se alastra pela plantação?  Desce a enxada e elimina tudo, ou vai, de fininho, como quem não quer nada, e manda vê no fungicida?

Quando se fala em agricultura orgânica, aparecem os milagreiros que querem acabar com tudo que é doença de planta misturando álcool, cinza, vinagre e outras baboseiras.  Quando você vê a formulação do "defensivo", não sabe se serve para jogar nas plantas ou pra fazer despacho na encruzilhada.

E há "remédios" ainda mais estranhos: xixi de vaca, por exemplo.  "É só jogar mijo de vaca na folhagem que derruba os pulgões", dizem os pais-de-santo. E se a vaca estiver com infecção urinária?  Joga-se vírus e bactérias nas folhas das hortaliças?

Ah! mas tem o óleo de nim (ou neem, caso queiram).

Já tive a oportunidade de testar o famoso produto.  A versão óleo puro de nim é muito boa para quem gosta de ver lagartas brilhantes comendo folha de hortaliça.  Óleo de Nim não mata lagarta; mas dá um brilho danado nas bichas.  A versão "óleo de Nim composto", que também não mata lagarta, é de dar medo.  Trata-se de mistura de substâncias tóxicas, incluindo extrato de timbó - produto que era usado por índios ignorantes e pescadores preguiçosos para matar peixes no lago.  Jogavam um pouco de timbó na água e, depois, enchiam a canoa com os espécimes que ficavam boiando.  O uso do timbó era pesca tão predatória que foi proibido, antes mesmo que houvesse leis sobre crimes ambientais.
Peraí, então não posso jogar nas verduras um produto que mata fungos; mas posso jogar, sem restrição, um produto que mata peixes?

Ataque de praga


Tem, também o controle biológico.  Joaninha que come ácaro, lagartixa que come joaninha, carcará que come lagartixa; parece até aquela brincadeira de pedra, tesoura e papel.

De repente, sua plantação vira um mini jardim zoológico. 

Praga comendo praga

Uma curiosidade:  Será que existe alguém que prefere encontrar uma aranha na salada, a encontrar um pulgão?

Há, também, os modernos e "chiquérrimos" defensivos biológicos, que usam bactérias para adoecer e matar os insetos que atacam as plantas.

Quase cheguei a experimentar defensivo biológico.  Só não o fiz, porque o vendedor era meu amigo.
-  "Francisco, esse tal defensivo à base de bactéria não vale nada.  Nenhum produtor da região teve bom resultado.  Além disto, o prazo de validade é muito curto.  Você acaba de comprar e o produto já está vencendo.  É jogar dinheiro fora".
Diante do testemunho, só tinha que agradecer e picar a mula.

Para não ser injusto com um produto que desconheço, fui ao Google e solicitei a busca "defensivos biológicos".  A muito custo fiquei sabendo que o Zezinho das couves e o Manezinho dos cafundós elaboram tais produtos.
Pfizer, Rhodia, Bayer, Du Pont, Syngenta, Monsanto, não elaboram.  Nenhuma empresa de renome mundial fabrica defensivo biológico.
Bem, como nada na vida é definitivo, quando uma indústria séria fabricar defensivo a base de bactérias, prometo experimentar.

Enquanto isso, vou descartando uma ou outra folha, ou uma ou outra planta e, se necessário, aplicando defensivos comprovadamente eficazes, de boa procedência e com tempo de carência relativamente curto, tipo Decis, Prêmio, Actara.  E o faço de consciência tranquila, na certeza de que na Hidroponia o consumo de defensivo não chega a um quinto do que é consumido no cultivo tradicional.

E o cultivo orgânico, que não usa defensivo?  Bem, creio haver provado, no início desta coluna, que cultivo orgânico de hortaliça a nível comercial não passa de conversa fiada.

CONFORME A LEI DE GERSON.

E AÍ, QUAL A VANTAGEM?

Taí uma pergunta que perseguirá o produtor hidropônico, por muito tempo.  Acontece que estamos no Brasil - e o brasileiro, conforme reza a lei de Gerson, tem que "levar vantagem em tudo".
Confesso que às vezes me dá vontade de reverter o ônus da resposta.  Tá, então me diz aí uma vantagem do cultivo tradicional sobre o cultivo hidropônico!
Horta no chão

Idade da pedra e das fezes de boi

Idade do tubo de hidroponia


Certa vez, quando ainda não lidava com hidroponia, meti-me  a preparar uma salada, com verduras adquiridas no mercado.  Tinha acabado de separar a metade que iria para o lixo, da metade que deveria ser higienizada com cloro, quando uma folha caiu da minha mão.  Agachei-me, peguei a danada de volta e...          E tomei a maior bronca da minha mulher.
- Você tem coragem de botar na salada uma folha que caiu no chão onde a gente pisa?
Filosoficamente, o puxão de orelha até que fazia sentido; entretanto aquela era verdura de horta tradicional, produzida no chão, junto a tudo que é porcaria, inclusive, fezes de animais.

Por crescerem num ambiente contaminado, verduras produzidas do modo convencional estão muito mais sujeitas a doenças e pragas do que qualquer produto hidropônico.
E, se a plantação está muito mais sujeita a doenças e pragas, necessita de muito mais aplicações de defensivos agrícolas e em maiores dosagens.
Só para que você faça ideia de como na agricultura, o bicho pega, literalmente, saiba que uma única borboleta - essa criatura maravilhosa - é capaz de botar dezenas, talvez uma centena de ovos, que geram uma avalanche de lagartas - criaturas horrendas e vorazes.

Produção hidropônica é método científico de trabalho e exige técnicas e conhecimentos específicos.

Para que a hortaliça se desenvolva nos tubos, os diversos nutrientes (sais minerais que alimentam a planta) devem estar perfeitamente balanceados e o PH da solução nutritiva tem que estar de acordo com as especificações.   Estas são condições necessárias para produzir hortaliças precoces e, consequentemente, mais saborosas e nutritivas.  Além disto, hortaliças hidropônicas são produzidas longe do chão e quase sem defensivos agrícolas, o que  implica em um produto muito mais higiênico e saudável.





CONCORRENTES OU COM CORRENTES?

Escolher o local onde construir e operar sua hidroponia não é coisa das mais fáceis.  Não difere, entretanto, da instalação de qualquer outro negócio, de grande ou pequeno porte.  Local barato ou gratuito é um dos aspectos a ser considerado; mas não deve ser o único.  Um indicativo interessante e que pode ajudar na escolha do local apropriado é a "espionagem" à concorrência, porque, como dizia o Chacrinha: "No mundo nada se cria, tudo se copia".

Concorrência braba e endinheirada


Uma tendência natural de qualquer empreendedor iniciante é fincar sua empresa onde não exista concorrência.  E, na empolgação própria de iniciante, esquece de fazer a si mesmo a perguntinha tola: E por que não tem ninguém aqui, tocando um negócio deste?

Certo indivíduo pretendia montar um bar.  Andou por muitos bairros, até que encontrou uma rua onde não havia bar nenhum.  Não teve dúvidas: alugou, equipou e inaugurou o boteco, sem muita pompa, é claro, porque dinheiro é sempre recurso escasso.  Pensou:  Vou tirar o pé da lama, rebentar a boca do balão. E teria, de fato, rebentado, não fosse aquela rua um reduto de evangélicos.

Por outro lado, instalar o botequim ao lado de outro já tradicional, não seria garantia de sucesso.  Poderia ser que, na melhor das hipóteses, conseguisse rachar ao meio a clientela de pingunços e, assim, faturar, apenas, metade do potencial do local.

Em negócios há uma lei (que deveria servir de guia para as autoridades que pretendem coibir o tráfego de drogas): ONDE HÁ CONSUMIDOR, HÁ FORNECEDOR.
Montar um bloco do eu sozinho, inflar o peito e sair tirando onda de bandeirante, são ações que podem, com o tempo, tornar o individuo merecedor de medalha, de diploma de honra ao mérito; todavia ninguém é pioneiro, sem pagar os ônus do pioneirismo.

Borba Gato - Bandeirante

Você está sozinho, longe de qualquer outro arremedo de atividade hidropônica.  Aparentemente, tudo bem; mas quem é que vai lhe fornecer sementes, substrato, nutrientes, defensivos?   Quem?  Quem?
Note que não há fornecedor onde não existe consumidor.
Sem ter quem lhe forneça os insumos necessários, seu empreendimento está amarrado (como diria o pastor evangélico).  Amarrado com correntes, exatamente por não haver concorrentes, digo eu.


MIL MANEIRAS DE ARMAR O BARRACO

Se você pensa em produzir hortaliças hidropônicas, não como hobby;  porém, como atividade econômica, tem que, de cara, preocupar-se com a construção de estufas, porque hidroponia é técnica para cultivo protegido, não é coisa para hortaliças sem-teto nem para agricultores idem.

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Construção de estufa - Fund. Cidades sem Fome

Vai ao Google e digita "estufas agrícolas".  Vem um toró de fabricantes, uns simples de dar náuseas, outros sofisticados de dar nojo.

Estrutura de Bambu - EMBRAPA

Você pode adquirir sua estufa prontinha da silva; pode comprar os componentes e montar você mesmo; pode adquirir só o "esqueleto" da parte aérea e fazer as colunas com madeira existente no sítio; pode deixar tudo isso pra lá, adquirir apenas a cobertura plástica e construir a estrutura das suas estufas conforme lhe der na telha.  O dinheiro é seu, a escolha é sua.  O tempo perdido e os riscos, também são todos seus.
A seguir, endereços de alguns sites, com projetos de estufas, digamos, genéricos:

http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/0,6993,EEC957779-4528-2,00.html

http://cidadessemfome.org/pt/

http://ag20.cnptia.embrapa.br/Repositorio/Estufa_Baixo_CustoID-Gm70WQGk56.pdf

Note-se que, quando se trata de estufas para hidroponia o ideal é que o terreno tenha um declive entre 5% e 10%.  É verdade que, trabalhar em terreno ligeiramente inclinado traz um pequeno incômodo para as pernas; mas permite construção de bancadas paralelas ao piso, o que representa grande benefício para a coluna do trabalhador.
Um outro detalhe, que não deve ser ignorado é que as laterais da estufas só podem ser fechadas com telas, para permitir a circulação de ar.   Sombrite entre o teto da estufa e a planta, para reduzir a incidência de calor, principalmente durante o verão, também é implemento desejável.

Seja qual for sua escolha, lembre-se que no Brasil venta - e vento forte costuma destruir construção fraca  E não adianta esconder suas estufas atrás da montanha, porque assim como, em certas épocas do ano, venta daqui pra lá, em outras épocas pode ventar de lá pra cá.  E se você "descobriu um localzinho escondidinho", onde o vento não alcança suas estufas, vai entender, rapidinho, o significado de "efeito estufa".  Suas plantinhas vão morrer "esturricadinhas" de tanto calor.

domingo, 13 de janeiro de 2013

TODAS AS PLANTAS SÃO BANGUELAS.


Desde que comecei a trabalhar com hidroponia, de vez em quando tenho que responder à pergunta:  -  E é possível produzir verdura só na água, sem terra?

Em verdade, a terra é meio de sustentação da planta, nada além disto.
Fincando as raízes no chão, a planta mantem-se ereta e expõe as folhas à luz do sol, para que produzam clorofila.

Bancada de rúcula pronta para colheita.



Embora seja o óbvio ululante (como diria Nelson Rodrigues), há quem não perceba que plantas não podem triturar alimentos sólidos, pelo simples fato de que são desprovidas de dentes.  Para alimentarem-se, absorvem substâncias dissolvidas na água.  Assim, ainda que o solo seja rico em nutrientes, a planta não poderá absorvê-los se não houver água em contato com as raízes.
Por isso os índios faziam a dança da chuva, por isso o sertanejo faz promessa pelo fim da estiagem, por isso grandes produtores rurais usam sofisticados sistemas de irrigação.

A hidroponia (trabalho na água) consiste, basicamente, em oferecer à planta os nutrientes de que necessita, diluídos em água potável,  mantendo sob controle a multiplicidade e a quantidade de tais nutrientes e o PH (grau de acidez ou alcalinidade) da solução.

Fazendo uma analogia com a atividade pecuária, a produção de hortaliças no solo seria a criação de animais soltos no pasto, enquanto hidroponia seria a criação em confinamento.
A hidroponia representa, portanto, uma inovação e uma evolução nos métodos de produção vegetal.