segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HIDROPONIA CASEIRA


Nós brasileiros costumamos aderir a qualquer modismo, sem questionar a utilidade, mesmo sabendo que a maioria dos modismos é inócuo, quando não insano.  A onda atual é, basicamente, alterações estéticas, cirúrgicas ou não. Malhações e chás emagrecedores - que via de regra devem ser ingeridos em jejum - estão na ordem do dia da maioria das pessoas.

E a geração passada não pode tripudiar sobre a geração presente.  Muitos foram os copos d'água "enriquecida" com água oxigenada, muitas foram as árvores que perderam as cascas para elaboração de milagrosos chás de casca de ipê-roxo e creio ter havido número significativo de mortes causadas pelo consumo de confrei, antes que fosse descoberta e divulgada sua toxidade.

A hidroponia caseira que eu fabrico e forneço.
Confesso que fiquei meio cabreiro quando, de repente - não mais que de repente, como diria Vinícius de Morais - vi um monte de gente, tentando produzir verduras em vasos, num cantinho da varanda, na sacada do apartamento.  
Como produtor rural, que vive do cultivo de hortaliças, resmunguei: "Tô nem aí. Isto é coisa de mané-sem-quintal".  Mas, não demorou para que entendesse a seriedade da coisa.  A única maneira do cidadão consumir hortaliça sem agrotóxico é se ele cultivar sua própria hortaliça".  E mais: se cada indivíduo produzir a verdura que consome, totalmente isenta de veneno, a humanidade terá dado uma grande contribuição à natureza.


Planta sadia, sem sujeira, sem vermes e sem veneno.
Foi neste instante que caiu a minha ficha. Peraí! Tenho os conhecimentos e os apetrechos necessários, por que não dar uma ajuda a estas pessoas que querem realmente fazer a diferença, que partem para a ação, de fato, em vez de ficarem choramingando, botando a culpa no governo?

Foi esta a motivação, mais que legítima, que me levou a criar a mini-hidroponia de uso caseiro, que apresento aqui. O amigo pode obter mais informações sobre o produto e até adquiri-lo através do e-mail   hidroplanta@gmail.com

A mini-hidroponia caseira ocupa o espaço de 1 m² e pode ser instalada em qualquer pedacinho de quintal.  Nela é possível desenvolver 40 plantas de cada vez, de variedades como: alface verde, alface roxa, agrião, almeirão, cebolinha, rúcula, salsinha, coentro, espinafre, etc, sem uma gota de veneno.

Aí o amigo pergunta: E, quanto tempo leva para que as hortaliças possam ser consumidas?  Bem, as verduras são suas, portanto é você que determina quando transformá-las em salada.

Permita que lhe conte algo que observei no nosso comportamento.  Desde a mais tenra idade somos orientados a levar vantagem em tudo.  A Lei de Gérson é, na verdade, a lei de todos os brasileiros.  É por isso que vamos à quitandas, feiras e sacolões, entregamos uma ou duas moedas ao comerciante e escolhemos o maço de verdura mais pesado que há na banca.  Até seguramos um maço em cada mão, para comparar pesos. Aí vamos para casa, felizes e saltitantes, com uma moita de hortaliça velha na sacola.  Sim, porque hortaliça enorme é hortaliça velha - e hortaliça velha tem sabor desagradável.


Almeirão, alface roxa, rúcula, alface crespa, cebolinha, alfavaca.
É por isso que nossas crianças não gostam de verdura. Você, meu amigo, só se propõe a devorar aquela coisa ruim, porque é uma pessoa esclarecida e conhece o valor nutritivo das hortaliças.  Mastiga e engole, como quem toma remédio.  De preferência, carregada de molho de salada, que ninguém é de ferro. 

Agora, preste atenção no que lhe digo: o dia em que você saborear uma alface hidropônica nova, uma rúcula de 16 cm de altura, uma folha crocante de almeirão, tudo cultivado com higiene e sem agrotóxico, nunca mais vai querer botar na boca aquelas maçarocas de folhas que você encontra nos mercados.

E olha só que motivo de orgulho: foi você mesmo que produziu tal maravilha.

Falo, escrevo, assino e dou fé.
Abraços.